Bares e Restaurantes

CMV no restaurante: como calcular e controlar o custo da comida

Por Angela Cristina Schmidt Meneghetti 31 de mai. de 2026 10 min de leitura
Dono de restaurante calculando o CMV e controlando o estoque
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Resumo rápido: o CMV (Custo da Mercadoria Vendida) é quanto seu restaurante gastou em insumos para produzir tudo o que vendeu em um período. A conta é estoque inicial mais compras menos estoque final, e o resultado em percentual sai dividindo pelo faturamento. Muitos negócios de food service ficam numa faixa aproximada entre 28% e 38%, mas isso varia com o tipo de operação. Controlar o CMV é controlar a maior despesa do bar ou restaurante, e o caminho passa por contagem de estoque, combate ao desperdício e relatórios que cruzam custo com receita.

Como calcular o CMV: estoque inicial mais compras menos estoque final; o CMV em percentual é o CMV dividido pelo faturamento vezes 100; a faixa comum no food service fica entre 28% e 38%

No fim do mês a sensação é a mesma para muito dono de restaurante: o salão estava cheio, a cozinha não parou, e mesmo assim sobrou pouco no caixa. Quase sempre a resposta está em um número que poucos acompanham de perto, o CMV. Ele diz quanto da sua venda foi embora só para pagar a comida e a bebida que saíram pela porta. Neste guia você vai ver o que é o CMV, como calcular passo a passo, qual percentual faz sentido para o seu negócio, como o desperdício infla esse custo e de que forma o contador e os relatórios ajudam a manter a margem em pé.

O que é o CMV, em uma frase

O CMV (Custo da Mercadoria Vendida) é o valor dos insumos que saíram do seu estoque para virar os pratos e as bebidas que você efetivamente vendeu em um período, calculado por estoque inicial mais compras menos estoque final.

A confusão mais comum é achar que CMV é o quanto você comprou no mês. Não é. Você pode comprar muito e vender pouco, e nesse caso boa parte da compra vira estoque parado, não custo de venda. O CMV mede só a parte das mercadorias que de fato se transformou em receita. Por isso ele é o indicador central de margem de um bar ou restaurante: na maioria das operações de food service, comida e bebida são a maior linha de custo, acima até da folha e do aluguel.

Como calcular o CMV passo a passo

A fórmula cabe em uma linha, mas o resultado só vale se cada parte for medida com cuidado.

CMV = estoque inicial + compras do período − estoque final

Para chegar ao número, siga a ordem:

  • Conte e valorize o estoque inicial, ou seja, tudo o que estava na despensa, na câmara fria e no bar no primeiro dia do período;
  • Some todas as compras de insumos do período, usando as notas fiscais dos fornecedores como base;
  • Conte e valorize o estoque final, o que sobrou no último dia do período;
  • Aplique a fórmula e, para achar o CMV em percentual, divida o resultado pelo faturamento do mesmo período e multiplique por 100.

O passo que mais gente pula é a contagem física de estoque, e é justamente o que torna o número confiável. Sem contar a despensa, o CMV vira chute, e um chute não serve para decidir compra nem preço. A contagem disciplinada, feita sempre no mesmo critério, é o que separa um restaurante que sabe sua margem de um que só descobre o prejuízo quando o caixa aperta.

Qual percentual de CMV é saudável

Não existe um número mágico que sirva para todo restaurante, porque o CMV ideal depende do que você vende. Ainda assim, é útil ter uma referência de faixa para saber se o seu está dentro do esperado.

Tipo de operaçãoFaixa de CMV aproximada (ilustrativa)Observação
Bar com forte venda de bebidaMais baixaBebida costuma ter margem maior
Restaurante à la carte variadoIntermediáriaDepende muito do mix do cardápio
Cortes nobres, frutos do marMais altaInsumo caro puxa o custo para cima
Operação de alto desperdícioAcima do esperadoSinal de problema, não de cardápio

Os valores de referência mais citados no setor giram em torno de uma faixa aproximada entre 28% e 38% do faturamento, mas trate isso como ponto de partida, não como meta sagrada. O que importa de verdade não é bater um número de revista, e sim conhecer o CMV do seu negócio, acompanhar a tendência mês a mês e entender o motivo de cada variação. Um CMV que sobe três meses seguidos é um alerta, mesmo que ainda esteja dentro da faixa.

CMV e desperdício: onde a margem vaza

Se o CMV mede o custo do que foi vendido, o desperdício é parte do que faz esse custo subir sem virar dinheiro. Todo insumo que sai do estoque mas não gera receita infla o CMV e some da margem.

Os pontos de vazamento mais comuns em um restaurante são:

  • Perda por validade e má conservação, quando o insumo estraga antes de ser usado;
  • Porcionamento sem padrão, quando cada cozinheiro monta o prato de um jeito e o consumo de insumo foge do previsto;
  • Quebra e furto, que saem do estoque sem nota e sem venda;
  • Erro de produção e refazimento, pratos devolvidos ou refeitos que consomem insumo duas vezes.

O combate a esses vazamentos é o caminho mais rápido para derrubar o CMV sem mexer no cardápio nem no preço. Padronizar fichas técnicas, treinar o porcionamento, conferir o estoque físico contra o que o sistema diz e organizar o giro pela ordem de validade são ações que pagam por si só. Não adianta negociar centavos com o fornecedor se a câmara fria está jogando proteína fora todo fim de semana.

Um exemplo com números (ilustrativo)

Os valores a seguir são ilustrativos, apenas para mostrar a mecânica. Considere um restaurante que, em um mês, tinha R$ 30.000 de estoque inicial, comprou R$ 60.000 em insumos e terminou o mês com R$ 25.000 de estoque final.

O CMV em reais é 30.000 + 60.000 − 25.000 = R$ 65.000. Se o faturamento do mês foi de R$ 180.000, o CMV percentual é 65.000 ÷ 180.000 = 36%. Agora imagine que, no mês seguinte, com o mesmo faturamento, esse restaurante reduz desperdício e ajusta o porcionamento, fechando com R$ 58.000 de CMV, ou 32%. Essa diferença de 4 pontos sobre R$ 180.000 representa R$ 7.200 que ficaram no caixa sem vender um prato a mais. É esse tipo de ganho silencioso que o controle de CMV destrava.

Vantagens e pontos de atenção de controlar o CMV

Antes de montar a rotina de contagem, vale enxergar os dois lados do esforço.

VantagensPontos de atenção
Mostra a real margem de cada períodoExige contagem física disciplinada
Aponta desperdício e furto cedoEstoque mal valorizado distorce o número
Embasa decisão de preço e cardápioSem ficha técnica, o controle fica frágil
Cruza com faturamento para ver tendênciaApurar só uma vez por ano não serve

Olhando a tabela, fica claro que os pontos de atenção são exigências de rotina, não defeitos do indicador. O CMV só engana quem o calcula errado ou de vez em quando. Quando a contagem é feita no mesmo critério todo mês e cruzada com o faturamento, ele deixa de ser um número contábil distante e vira a bússola que diz onde a margem está vazando e o que corrigir primeiro.

Um caso ilustrativo

Para deixar concreto, veja uma situação representativa, sem identificação de cliente. Um restaurante de praia em Balneário Camboriú vivia cheio na temporada e mesmo assim fechava o verão com pouco caixa. A situação: o dono comprava insumo no olho, sem contagem de estoque, e nunca soube seu CMV. O problema: ao apurar pela primeira vez, o CMV apareceu bem acima da faixa esperada para a categoria, puxado por proteína estragando na câmara e por porções sem padrão entre os turnos da cozinha. A solução: implantamos contagem mensal de estoque, fichas técnicas para os pratos campeões de venda e um relatório que cruzava CMV com faturamento mês a mês. O resultado: em poucos meses o CMV recuou alguns pontos percentuais, e essa diferença, sobre o faturamento alto da temporada, recuperou uma margem que antes ia para o lixo. A virada não veio de vender mais, veio de parar de perder o que já estava comprado.

Quando olhar só o CMV não basta

Controlar o CMV é essencial, mas ele é um indicador, não a história inteira do restaurante. Se você corta insumo a ponto de piorar a comida, pode até derrubar o CMV no papel e perder cliente no salão, o que estraga o resultado real. Se a sua operação tem bebida e comida muito misturadas, vale separar o CMV de cada uma, porque a bebida costuma ter margem bem diferente e a média esconde o que importa. E o CMV não inclui custos fixos como aluguel, folha e energia, então um CMV ótimo com despesa fixa descontrolada ainda dá prejuízo. Há ainda o lado tributário: a venda de refeições por bares e restaurantes costuma ser tributada pelo Simples Nacional, em geral no Anexo I (comércio), mas pode haver incidência de ISS sobre serviços e a atividade pode ser mista, o que precisa ser confirmado caso a caso. Para entender essa parte, veja o regime tributário do restaurante e lembre que o controle de margem anda junto com o planejamento tributário. O CMV diz quanto custa a comida, mas a saúde do negócio depende de olhar o resultado completo.

Como a Contec ajuda bares e restaurantes

A Contec atua há 27 anos em Balneário Camboriú, uma cidade turística com forte setor de food service, e ajuda bares e restaurantes a transformar contagem de estoque em decisão de gestão. Organizamos as notas de compra, separamos insumo de despesa fixa, montamos os relatórios que cruzam CMV, faturamento e margem e sentamos com você para interpretar por que o número subiu ou caiu. A gestão de estoque do dia a dia é da sua operação, o nosso papel é dar a leitura contábil que transforma esse esforço em lucro.

Quem comanda o time é a Angela Meneghetti, contadora pelo CRC-SC e advogada pela OAB-SC, uma combinação rara que ajuda o dono de restaurante a decidir com segurança contábil e jurídica ao mesmo tempo. Conheça a página de contabilidade para bares e restaurantes, veja como cuidamos da folha e da gorjeta no departamento pessoal e, se a comissão de apps pesa no seu CMV, entenda os impostos do iFood no restaurante. Vale lembrar que a ABRASEL é uma associação do setor, não um órgão com obrigações legais, e que a filiação é opcional. Atendemos de forma 100% digital e também presencial em Balneário Camboriú e região.

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Fontes oficiais: Lei Complementar 123/2006 (Simples Nacional) e Receita Federal. Este conteúdo é informativo e não substitui uma análise individual. Faixas de CMV, enquadramento tributário e incidência de ISS sobre serviços devem ser confirmados para o seu caso.

Perguntas frequentes

O que é CMV no restaurante?
CMV é a sigla de Custo da Mercadoria Vendida, e no restaurante representa quanto você gastou em insumos para produzir tudo o que vendeu em um período. Não é o quanto você comprou, é o quanto efetivamente saiu do estoque para virar prato e bebida vendidos. A conta básica é estoque inicial mais compras menos estoque final. O CMV é o indicador central de margem de um bar ou restaurante, porque a comida e a bebida costumam ser o maior custo da operação. Controlar o CMV é controlar a parte do faturamento que sobra depois de pagar o que foi para a mesa do cliente.
Como calcular o CMV de um restaurante passo a passo?
Primeiro conte e valorize o estoque que você tinha no início do período, esse é o estoque inicial. Depois some todas as compras de insumos feitas no período, com notas fiscais de fornecedores. Por fim, conte e valorize o estoque que sobrou no final do período. A fórmula é estoque inicial mais compras menos estoque final, e o resultado é o CMV em reais. Para achar o CMV em percentual, divida esse valor pelo faturamento do mesmo período e multiplique por 100. O ponto que mais erra é pular a contagem física de estoque, sem ela o número fica chutado.
Qual é um CMV saudável para bar e restaurante?
Não existe um número único, porque depende do tipo de operação. Muitos negócios de food service trabalham com CMV em uma faixa aproximada entre 28% e 38% do faturamento, mas isso varia bastante. Um bar com forte venda de bebida costuma ter CMV menor, já uma operação com cortes nobres ou frutos do mar tende a ter CMV mais alto. O mais importante não é mirar um número de revista, e sim conhecer o CMV do seu próprio negócio, acompanhar mês a mês e entender por que ele sobe ou desce. Vale validar a faixa ideal da sua categoria com o contador.
Qual a diferença entre CMV e desperdício?
O CMV mede o custo do que foi vendido. O desperdício é parte do que faz esse custo subir sem virar venda. Quando um insumo estraga, é roubado, vai para o lixo por má conservação ou some em porções mal padronizadas, ele saiu do estoque mas não gerou receita. Isso infla o CMV sem trazer dinheiro de volta. Por isso controlar desperdício, padronizar fichas técnicas e conferir o estoque físico contra o sistema são formas diretas de derrubar o CMV. Veja como organizar isso na gestão tributária e financeira do restaurante.
Com que frequência devo calcular o CMV?
O ideal é apurar o CMV pelo menos uma vez por mês, sempre fechando o período com contagem física de estoque. Negócios mais organizados ou com margem muito apertada fazem contagens semanais de itens críticos, como proteínas e bebidas premium, que são os que mais pesam e mais somem. Calcular só uma vez por ano não serve para gestão, porque você descobre o problema tarde demais para corrigir. A apuração mensal permite cruzar o CMV com o faturamento, identificar desvios cedo e agir antes que um mês ruim vire um trimestre no vermelho.
O contador ajuda a controlar o CMV do restaurante?
Sim. O contador organiza as notas de compra, separa o que é insumo do que é despesa fixa, monta os relatórios que cruzam custo, faturamento e margem e ajuda a enxergar o CMV dentro do resultado total do negócio. Em uma contabilidade consultiva, ele não só registra os números, ele senta com você para interpretar por que o CMV mudou e o que fazer. Combinado com a gestão de estoque do dia a dia, que é responsabilidade da operação, o trabalho contábil transforma a contagem de estoque em decisão de compra, de cardápio e de preço.

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Angela Cristina Schmidt Meneghetti, contadora e advogada da CONTEC
Quem responde por essa contabilidade

Angela Cristina Schmidt Meneghetti

À frente da CONTEC, a Angela reúne uma combinação rara no mercado: é contadora (CRC-SC) e advogada (OAB-SC), com pós-graduações em planejamento tributário, patrimonial e sucessório e mais de 27 anos orientando empresas em Santa Catarina. É essa visão que une segurança contábil e jurídica em cada decisão do seu negócio.

Contadora CRC-SC Advogada OAB-SC 8 títulos / pós-graduações +27 anos de atuação