Profissionais da Saúde

Como o quiropraxista pode abrir PJ: abertura e impostos

Por Angela Cristina Schmidt Meneghetti 31 de mai. de 2026 12 min de leitura
Quiropraxista abrindo PJ e definindo o CNAE correto da atividade
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Resumo rápido: o quiropraxista pode abrir empresa e, em geral, paga menos imposto como PJ do que como autônomo, que chega a 27,5% de Imposto de Renda. No Simples Nacional a tributação incide sobre o faturamento e tende a ser menor para quem atende com regularidade. Os dois pontos que mais exigem atenção na quiropraxia são a definição do CNAE, porque não há um código exclusivo consolidado, e a regulamentação da profissão, que ainda é particular no Brasil e deve ser confirmada para o seu caso.

Ficha do quiropraxista PJ: como autônomo paga até 27,5% e como PJ no Simples a tributação tende a ser menor; ainda sem conselho federal próprio, o CNAE exige atenção e em geral não pode ser MEI

Se você trabalha com quiropraxia e ainda recebe tudo como pessoa física, há boa chance de estar pagando mais imposto do que precisaria. Abrir um CNPJ, ou seja, prestar seus serviços por meio de uma empresa, é uma forma comum e segura de organizar a tributação. A quiropraxia, porém, tem duas particularidades que pedem cuidado redobrado: a escolha do CNAE e a situação da profissão frente à regulamentação. Neste guia você vê o passo a passo da abertura, a diferença entre autônomo e PJ, e onde exatamente é preciso confirmar antes de decidir.

O que é PJ na quiropraxia, em uma frase

PJ na quiropraxia é quando o quiropraxista constitui uma empresa, em vez de atuar como autônomo, para emitir notas fiscais dos seus atendimentos e contratos com clínicas e outras empresas. Na prática, você troca a tributação como pessoa física, que pode chegar a 27,5% de Imposto de Renda, por uma tributação empresarial que, no Simples Nacional, costuma ser proporcional ao faturamento e menor para quem atende com volume.

Isso não é uma manobra para fugir de imposto. É uma estrutura prevista em lei, usada por profissionais da saúde para recolher tributos de forma proporcional e previsível. A diferença, no caso da quiropraxia, é que algumas definições da abertura precisam ser conferidas com mais atenção do que em profissões já regulamentadas há décadas.

Por que o quiropraxista costuma pagar menos como PJ

A diferença está em como cada figura é tributada. Como autônomo, ou seja, pessoa física, o quiropraxista recolhe:

  • Imposto de Renda (IRPF) pela tabela progressiva, que vai até 27,5%, pago mensalmente via carnê-leão;
  • INSS sobre a remuneração, respeitando o teto da Previdência;
  • ISS ao município, na maioria dos casos.

Somados, esses tributos costumam consumir perto de um quarto de tudo que o profissional autônomo fatura, sem que ele consiga abater grande parte das despesas do consultório, como aluguel da sala, maca e equipamentos. É essa mordida que a estrutura de pessoa jurídica reorganiza, ao permitir que o serviço seja tributado dentro de um regime empresarial e que a empresa recolha um percentual único sobre o faturamento, em vez de uma alíquota progressiva sobre a renda da pessoa física.

Autônomo x PJ: a comparação que importa

A tabela abaixo resume as situações em que um quiropraxista pode se encontrar, considerando a mesma renda em cada cenário. As faixas são aproximadas e dependem do enquadramento final da empresa.

SituaçãoComo é tributadoCarga aproximada sobre o faturamento
Autônomo (pessoa física)IRPF progressivo até 27,5%, mais INSS e ISScerca de 25% a 30%
PJ no Simples, anexo de maior alíquotaalíquota única sobre o faturamentoa partir de 15,5%
PJ no Simples, anexo de menor alíquotaalíquota única sobre o faturamentoa partir de 6%

O que essa comparação mostra é que a decisão não é apenas “abrir ou não abrir empresa”, e sim em qual anexo do Simples a empresa vai cair. No caso da quiropraxia, a definição da atividade influencia diretamente esse enquadramento, e por isso a escolha do CNAE pesa tanto. Para entender a lógica de anexo aplicada a outra profissão da área, vale ver o passo a passo de abertura de PJ para médico, que segue a mesma mecânica de tributação.

Um exemplo com números

Os valores a seguir são ilustrativos, apenas para mostrar a lógica. Considere um quiropraxista que fatura R$ 18.000 por mês, somando R$ 216.000 por ano. Como autônomo, a faixa de 27,5% do Imposto de Renda incide sobre boa parte dessa renda, e ainda entram INSS e ISS, levando a carga para a casa dos 25% a 30%. Enquadrado como PJ no Simples Nacional em um anexo de menor alíquota, a alíquota efetiva nessa faixa de faturamento costuma ficar em torno de 7% a 9% sobre o que a empresa fatura, já com os tributos federais e o ISS reunidos em uma guia só. Mesmo somando o INSS e o Imposto de Renda sobre o pró-labore, o conjunto tende a ficar bem abaixo do que esse mesmo profissional pagaria como autônomo, o que ao longo de um ano representa uma diferença que costuma pagar a estrutura contábil várias vezes. O número exato, porém, depende do anexo em que a atividade for enquadrada, que precisa ser confirmado na abertura.

O ponto sensível da quiropraxia: CNAE e regulamentação

Aqui está o que diferencia a abertura de um quiropraxista da de um médico ou dentista. Em profissões já consolidadas, o CNAE e o conselho de classe são bem definidos. Na quiropraxia, dois pontos exigem conferência antes de qualquer decisão.

O primeiro é o CNAE. Não há, de forma consolidada, um código exclusivo batizado como “quiropraxia”. A atividade costuma ser encaixada em códigos ligados a atividades de atenção à saúde humana, e a escolha depende de como o serviço é descrito. Como um enquadramento errado pode empurrar a empresa para um anexo de tributação mais alto, esse é o ponto que mais merece cuidado, e o código deve ser confirmado caso a caso.

O segundo é a regulamentação da profissão. A quiropraxia ainda tem uma situação particular no Brasil quanto à existência de um conselho profissional federal próprio nos moldes da medicina ou da odontologia. Isso muda a forma de tratar exigências de registro e responsabilidade técnica na abertura. Por se tratar de um tema que evolui, a situação deve ser verificada para o seu caso, inclusive conforme a sua formação. Nada disso impede a abertura da empresa, apenas exige que ela seja feita com base na regra atual, e não em suposição.

Passo a passo para abrir o seu CNPJ de quiropraxista

A abertura segue uma sequência clara e, com a documentação em mãos, costuma levar de 5 a 15 dias úteis.

  1. Defina o tipo societário. Quem vai atuar sozinho normalmente abre uma Sociedade Limitada Unipessoal (SLU). Quem tem sócios abre uma LTDA. Em geral o quiropraxista não pode ser MEI, porque a atividade costuma ficar fora da lista permitida.
  2. Confirme o CNAE correto. A atividade costuma ser encaixada em códigos de atenção à saúde humana, e o código exato deve ser confirmado na abertura, porque um erro aqui muda o anexo de tributação.
  3. Verifique a regulamentação aplicável. Antes de seguir, confirme qual exigência de registro ou responsabilidade técnica se aplica ao seu caso, ponto que na quiropraxia ainda é particular no Brasil.
  4. Registre a empresa na Junta Comercial. É a etapa que dá existência legal ao negócio e gera o CNPJ.
  5. Obtenha as inscrições fiscais e o alvará. Inscrição municipal, alvará de funcionamento e, no consultório, eventual licença da vigilância sanitária do município.
  6. Enquadre no Simples Nacional e defina o pró-labore. Aqui se decide o anexo e a retirada mensal, etapa que mais pesa no quanto você vai pagar.
  7. Emita a primeira nota fiscal. Com a empresa aberta e enquadrada, você já pode faturar como PJ.

Percorrer esse caminho sozinho costuma gerar retrabalho, principalmente nas etapas de CNAE, enquadramento e regulamentação, onde um erro pequeno custa caro em imposto pago a mais ou em uma empresa aberta de forma irregular. Por isso a maioria dos profissionais delega a parte burocrática e foca no atendimento, acompanhando de perto apenas as decisões que mexem no bolso. Veja como funciona a abertura de empresa em Balneário Camboriú com acompanhamento do início ao fim.

Documentos necessários

Para dar entrada na abertura, separe os seguintes itens:

  • Documento de identidade e CPF;
  • Comprovante de endereço residencial;
  • Comprovação da sua formação em quiropraxia;
  • Comprovante do endereço comercial ou contrato do consultório;
  • Definição do CNAE e do tipo societário.

Ter esses documentos organizados desde o começo encurta o prazo de abertura, porque evita as idas e vindas que normalmente travam o processo na Junta Comercial e na prefeitura. No caso da quiropraxia, a comprovação da formação ajuda também na hora de definir corretamente a atividade, etapa que, como vimos, é a que mais exige atenção.

Pró-labore: como você se paga pela PJ

Toda empresa que tem um sócio trabalhando nela precisa definir um pró-labore, que é a remuneração desse sócio pelo trabalho. Sobre o pró-labore incidem o INSS e o Imposto de Renda conforme a tabela progressiva.

Muitos profissionais tentam fixar o pró-labore no menor valor possível para reduzir esses encargos, mas essa retirada também influencia o enquadramento da empresa em alguns anexos do Simples. O ponto de equilíbrio entre pagar menos no pró-labore e manter a empresa no anexo mais vantajoso é uma conta que precisa ser calibrada com cuidado e revisada sempre que o faturamento muda de patamar. Para profissões em que esse cálculo manda no imposto, esse acompanhamento é feito dentro da contabilidade consultiva, e a lógica é a mesma que detalhamos em pró-labore na PJ da saúde.

Vantagens e pontos de atenção

Antes de decidir, vale enxergar os dois lados da estrutura de pessoa jurídica.

Vantagens da PJ na quiropraxiaPontos de atenção
Carga tributária menor para quem atende com regularidadeExige rotina contábil e obrigações mensais
Faturamento organizado e previsívelDefinição do CNAE exige conferência específica
Acesso a contratos com clínicas que exigem CNPJRegulamentação da profissão ainda é particular no Brasil
Espaço para planejamento tributário recorrenteHá custo de abertura e de manutenção contábil

Olhando para a tabela, fica claro que os pontos de atenção da quiropraxia são, em boa parte, tarefas que um bom contador resolve no seu lugar, especialmente a definição correta do CNAE e a verificação da regra aplicável. As vantagens, por sua vez, ficam inteiras com o profissional. A conta só não fecha para quem fatura muito pouco e de forma esporádica, situação em que a economia de imposto não compensa o custo de manter a empresa ativa.

Um caso ilustrativo

Para deixar concreto, veja uma situação representativa do dia a dia, sem identificação de cliente, com valores ilustrativos. Um quiropraxista faturava cerca de R$ 18.000 por mês entre consultório próprio e atendimentos em uma clínica integrada, tudo como pessoa física. A situação: toda a renda passava pelo carnê-leão, com a alíquota de Imposto de Renda perto dos 27,5%, somada ao INSS, sem que ele conseguisse abater quase nada das despesas com sala e equipamentos. O problema: ele perdia perto de um quarto do faturamento em tributos e não tinha previsibilidade nenhuma. A solução: confirmamos a atividade e o CNAE adequados ao serviço, verificamos a regra aplicável à sua situação, abrimos uma Sociedade Limitada Unipessoal, enquadramos a empresa no Simples Nacional e calibramos o pró-labore. O resultado: a carga total de tributos, que consumia perto de 27% da renda, caiu para algo em torno de 11% a 13% somando o Simples e os tributos do pró-labore, uma diferença que, no caso dele, representou alguns milhares de reais a menos de imposto por mês. Essa virada não veio de truque, veio de enquadrar a atividade no anexo certo, com a atividade descrita de forma correta desde a abertura.

Quando abrir PJ não compensa

Ser PJ é vantajoso para a maioria dos quiropraxistas, mas não para todos. Se você faz apenas atendimentos esporádicos ao longo do ano, com faturamento baixo e irregular, o custo de manter a empresa ativa, somado às obrigações mensais, pode superar a economia de imposto. O mesmo vale para quem está no começo da carreira e ainda não tem volume previsível, ou para quem recebe a maior parte da renda como funcionário CLT de uma clínica, situação em que a folha já resolve boa parte da tributação. Nesses casos, abrir empresa por abrir só adiciona custo. A decisão certa nasce de uma conta simples, comparar quanto você pagaria como autônomo contra quanto pagaria como PJ, já incluindo o custo contábil, e é essa conta que fazemos com você antes de qualquer abertura.

Como a Contec conduz isso para você

A Contec atua há 27 anos em Balneário Camboriú e é especializada em contabilidade para profissionais da saúde. No caso da quiropraxia, conduzimos a parte que mais exige cuidado, a definição correta da atividade e do CNAE e a verificação da regra aplicável ao seu caso, e depois acompanhamos o enquadramento mês a mês para manter você no anexo mais vantajoso dentro da lei, com atendimento 100% digital e presencial em Balneário Camboriú e região.

Quem comanda o time é a Angela Meneghetti, contadora pelo CRC-SC e advogada pela OAB-SC, uma combinação rara que ajuda o quiropraxista a decidir com segurança contábil e jurídica ao mesmo tempo, justamente em uma profissão cuja regulamentação ainda pede leitura atenta. E se você já tem empresa aberta com outro escritório e desconfia que paga imposto a mais, entenda como funciona trocar de contador, um processo mais simples do que a maioria imagina.

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Fontes oficiais: Lei Complementar 123/2006 (Simples Nacional) e Receita Federal. Este conteúdo é informativo e não substitui uma análise individual. CNAE, enquadramento e a situação regulatória da quiropraxia devem ser confirmados para o seu caso.

Perguntas frequentes

Quiropraxista pode abrir CNPJ?
Sim. Não há impedimento para o quiropraxista prestar serviços como pessoa jurídica. É o caminho mais usado por quem tem consultório próprio, atende em clínicas integradas ou presta serviços para outras empresas que exigem nota fiscal. A abertura costuma ser feita como Sociedade Limitada Unipessoal (SLU), normalmente enquadrada no Simples Nacional. Como a quiropraxia ainda não tem um conselho profissional federal próprio no Brasil, a definição da atividade e do enquadramento merece atenção especial e deve ser confirmada para o seu caso.
Quiropraxista pode ser MEI?
Costuma não ser possível. As ocupações ligadas à saúde em geral ficam fora da lista permitida para o MEI (Microempreendedor Individual). O caminho usual do quiropraxista é abrir uma empresa como SLU ou LTDA. Como a situação da quiropraxia frente à regulamentação profissional ainda é particular no Brasil, vale confirmar a ocupação atualizada antes de qualquer decisão, porque isso muda o que pode ou não ser feito na abertura.
Qual o CNAE para o quiropraxista?
Não existe um CNAE batizado apenas como 'quiropraxia' de forma consolidada, então a atividade costuma ser encaixada em códigos da área de saúde ou de atividades de atenção à saúde humana. O código exato depende de como o serviço é descrito e precisa ser confirmado na abertura, porque um enquadramento errado pode jogar a empresa em um anexo de tributação mais alto. Essa é uma das etapas que mais merecem cuidado no caso da quiropraxia.
Compensa o quiropraxista virar PJ ou seguir autônomo?
Depende do faturamento e da regularidade. Como autônomo, o quiropraxista pode pagar até 27,5% de Imposto de Renda mais o INSS. Como PJ no Simples Nacional, a tributação incide sobre o faturamento e tende a ser menor para quem atende com volume constante. Para quem fatura pouco e de forma esporádica, o custo de manter a empresa pode não compensar. O ideal é comparar os dois cenários antes de decidir, como mostramos em autônomo x PJ na área da saúde.
Quanto tempo leva para abrir o PJ do quiropraxista?
Com a documentação organizada, a abertura costuma levar de 5 a 15 dias úteis, dependendo da Junta Comercial e da prefeitura. No caso da quiropraxia, parte do prazo pode ser consumida na definição correta da atividade e do CNAE, justamente o ponto que mais exige conferência. A Contec conduz todo o processo de forma 100% online, com atendimento presencial em Balneário Camboriú e região quando o cliente prefere.
O quiropraxista precisa de registro em algum conselho?
Esse é o ponto mais delicado da profissão no Brasil. A quiropraxia ainda não tem um conselho profissional federal próprio nos mesmos moldes de medicina ou odontologia, e a situação regulatória deve ser confirmada caso a caso, inclusive porque pode variar conforme a formação do profissional. Por isso, antes da abertura, é importante verificar qual exigência se aplica a você, para que a empresa nasça regular e sem surpresas.

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Angela Cristina Schmidt Meneghetti, contadora e advogada da CONTEC
Quem responde por essa contabilidade

Angela Cristina Schmidt Meneghetti

À frente da CONTEC, a Angela reúne uma combinação rara no mercado: é contadora (CRC-SC) e advogada (OAB-SC), com pós-graduações em planejamento tributário, patrimonial e sucessório e mais de 27 anos orientando empresas em Santa Catarina. É essa visão que une segurança contábil e jurídica em cada decisão do seu negócio.

Contadora CRC-SC Advogada OAB-SC 8 títulos / pós-graduações +27 anos de atuação